quinta-feira, 3 de abril de 2014

A CASA 12 ASTROLÓGICA E OS 23 SIGNIFICADOS

Muitas vezes as pessoas tem dificuldade de entender o REAL significado da casa XII no mapa astrológico e por isso não aproveitam todos os potenciais lá existentes. Vale lembrar sempre que na análise de um mapa, devemos considerar que  os signos representam a nossa herança celeste e as casas o nosso atual campo de experiências na vida atual. Podemos entender o signo que se posiciona na cúspide de uma casa, como sendo um fio condutor que une as qualidades celestes com os assuntos das casas terrestres para o desenvolvimento do SER.
Assim, destacamos abaixo os 23 significados da Casa XII astrológica que poderão contar com as energias bem trabalhadas do signo que rege o setor, como uma "ferramenta" importante para o melhor aproveitamento  do que nos está sendo solicitado.

A CASA XII é o final do ciclo de vida de cada um. E esse final não deve ser visto apenas sob o que foi alcançado na vida atual. O final do ciclo implícito nesta Casa tem relação com a capacidade de se ter alcançado um senso de valores em face das experiências vividas na demais casas. É um ciclo em termos de consciência de valores, de realização do significado de vida e até da missão cumprida.
Aquilo que foi realizado é a semente da próxima vida. A Casa XII é essa semente, a síntese de todo o mapa, que passará a outro renascimento.
Neste Casa existe também criatividade, inspiração e fantasia, por ser a casa natural do signo de Peixes. É chegado o final do ciclo, não para uma morte, mas para uma reavaliação e um renascimento. Este renascimento é a preparação para um novo valor e para nascer o novo é preciso deixar o velho. (velhos hábitos, velhas crenças, velhas maneiras de atuar que intensificam a repetição dos acontecimentos desgastantes).
Listamos agora os 23 significados dessa área que se farão presentes em nossa vida de maneiras alternadas, para que sejam compreendidas, bem trabalhadas e se for o caso também superadas.
  1.  Nossa necessidade de solidão e introspecção. O que emerge em nós quando estamos sós. Quão      reservados somos;
  2.  Nossa tendência de escaparmos para o passado. A natureza de nossa vida passada. Nossa ruína de vidas passadas. Nosso grande carma;
  3. Relacionamentos secretos e/ou ações secretas. Atividades indiretas. Como operamos por traz dos bastidores;
  4. Respostas automáticas ou compulsivas;
  5. Nossa vulnerabilidade. Nossas fraquezas ocultas;
  6. Nossos inimigos ocultos;
  7. A extensão do nosso sofrimento interno. As opressões que carregamos;
  8. Nossa tendência de agir como vítimas, ou mártir, ou a permissão que damos para sermos explorados;
  9. Como podemos nos iludir, nos frustrar e nos decepcionar (muitas vezes, com a nossa permissão, mesmo inconsciente)
  10. Motivações e padrões de comportamento inconscientes. O que desconhecemos em termos de poder interior. O poder interno que desenvolvemos em tempos de crise;
  11. A abertura para as nossas emoções;
  12. O que reprimimos ou evitamos confrontar em nós mesmos. O que devemos enfrentar em nós mesmos. Problemas e complexos psicológicos. Vergonha e culpa. O que não fomos capazes de desenvolver abertamente na infância;
  13. Confinamento, serviço ou retiro em prisões, hospitais ou lugares segregados. Funcionalismo público/servidor público;
  14. Trabalho voluntário e atividades filantrópicas;
  15. Como devemos servir ou nos sacrificar;
  16. Telepatia, habilidade psíquica e/ou ocultas. As mensagens ocultas ou cruzadas que transmitimos. Estados alterados de consciência;
  17. Receptividade para estados de consciência mais elevados;
  18. O que atraímos nos outros. Que acontecimentos atraímos para as nossas vidas se não lidarmos com as energias em nós mesmos;
  19. Empatia e compaixão. Amor impessoal/Crístico. Sensibilidade pelos necessitados. Desejo de servir os outros;
  20. A natureza das nossas doenças (principalmente as mais graves e crônicas). Invalidez;
  21. O poder da nossa imaginação. Nosso mundo de fantasias e sonhos. Nossa abertura para a imaginação criativa. Inspiração;
  22. A união com Deus ou a união mística. A volta para casa (o paraíso perdido). Descontentamento divino. A nossa fé em Deus ou no Cosmo. Interesses espirituais. Devoção espiritual e meditação;
  23. Humildade, inferioridade, simplicidade e pureza.
Não podemos nos esquecer que na Astrologia Cármica é através da Casa XII que o Moksha ( a Libertação) nos diz de que forma podemos "servir a humanidade e agradar a Deus".

quarta-feira, 19 de março de 2014

O "HORÓSCOPO DA TERRA"

Assim como os homens tem seus horóscopos - inclusive múltiplos conforme os seus ciclos de evolução, sejam elas as "revoluções solares" o as "iniciações", o planeta também apresente os seus horóscopos à medida em que se sucedem os seus ciclos.
Essas datas natais estão matemática, astronômica, alquímica, e hierofanicamente definidas pela evolução das raças e pela chegada dos Avatares.Por isso os ciclos das civilizações são contados a partir da presença das encarnações divinas, sendo estes momentos que definem os horóscopos mundiais. A unidade entre Microcosmos, Mesocosmos e Macrocosmos é absoluta: tudo está sincronizado, expressando com perfeição a lei hermética que reza "assim como é em cima é em baixo".
Por isso, cada civilização é contada a partir da vida de seu profeta-maior, determinando um ano mais ou menos preciso, ainda que o momento ou a situação exata possa variar. Os hindus contam o seu tempo a partir da morte de Krishna, e os budistas pela morte (paranirvani) de Buda. Os hebreus o fazem pela Páscoa de Moisés e até por Adão e Eva. Os cristãos pelo nascimento de Jesus. No islã se trata da Hégira de Maomé. E no mundo pré-colombiano encontramos um registo matematicamente preciso, o dia 13 de agosto de 3.113.
Ainda que se desconheça a natureza exata desta data, está possivelmente relacionada à Canícula, evoluindo até chegar ao 26 de julho hoje conhecido, quando os Maias pararam de registrar o tempo. Uma de suas características é a presença do valor 13.
Tais povos tinham uma devoção especial por este número, associado por eles à deidade suprena (no Zohar encontramos uma ênfase semelhante). O 13º céu era o trono do deus-maior, Hunab Ku ou Oncecutli, o senhor da Suprema Dualidade, semelhante portanto ao TAO chinês com seus Ying-Yang.
Este ciclo teve cerca de 5.200 anos e terminou em 2.012 D.C. E não seria de estranhar que, dada a ênfase encontrada das profecias do signo de Leão, foi também através dele que este ciclo racial terminou. Afinal,trata-se do final e reinício demarcado por um único evento do tipo alfa-ômega, ou crístico, aquele que vem resumir o antigo e implantar o novo.
O Apocalipse fala da própria "Mulher do Sol" ou d´Aquele que está no seu ventre, predestinado a  "reger as nações com mão de ferro" e a quem o dragão do mal tanto teme porque ameaça o seu império, tal como Herodes temia a Jesus e Kansa temia Krishna. O mundo, simbolizado pela Virgem, faz uma polaridade com o Cristo, pois este trabalha e se sacrifica por aquele.
O capítulo 12 do Apocalipse traz uma imagem complexa na qual São João procurou expressar a tripla realidade dos Alinhamentos de Consciência, através de cabeça, coração e pés (ventre). Como toda Escritura Sagrada, ela pode ser interpretada de diversas maneiras. Temos dado ao episódio da "Mulher do Sol" uma visão de Geografia Política aplicada à América do Sul, por exemplo, na medida em que a mulher ensolarada seria o Brasil, A Lua aos seus pés a Argentina, e as 12 estrelas os países que cercam o Brasil no subcontinente.
Mas também temos afirmado que esta simbologia pode ocultar a descrição de um horóscopo. A expressão "Mulher do Sol" tem um duplo sentido conforme as  palavras Mulher e Sol possam ser entendidas.
Pois bem, A "Mulher Ensolarada" seria uma entidade do signo de Leão (que é regido pelo Sol). Num horóscopo, a cabeça esta relacionada à Casa I (personalidade/ascendente). Cercada por 12 estrelas, pode significar que ali situa-se o 12º signo, Peixes. Os "pés", por sua vez, podem ser associados ou "Fundo do Céu", ou à Casa IV, base astronômica do horóscopo. A "Lua sob os pés" definiria a posição deste astro ou do signo por ele regido que é Câncer.
Estes elementos nos remetem na verdade aos símbolos da Jerusalém celeste e o tema pode também fazer alusão ao mito de Vaikuntha, de modo que as 12 estrelas corresponderiam ao signo de Javali, o 12º signo do zodíaco joviano, enquanto Leão também seria visto como uma esfera duodenária por abrir ou reger o ciclo planetário através do seu regente, o Sol.
E.T. Vaikuntha - O Paraíso Astrológico.

Fonte: Luís A.W.Salvi

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

INTRODUÇÃO HISTÓRICA À ASTROLOGIA HINDU

Para se ter uma idéia das influências que a Astrologia sofreu na Índia, é preciso voltarmos no tempo e considerarmos as influências culturais e raciais envolvidas.
Desde 3.250 AC. a Índia foi habitada por uma civilização misteriosa denominada Dravidianos (negros) que se aproximaram racialmente e culturalmente dos Sumerianos. Atingiram o apogeu entre 2.800 a 2.500 AC, e os locais mais importantes foram Harapa e Moenjo Daro no Vale dos Hindus. Praticamente não sabemos nada sobre seus conhecimentos, sua Astronomia e sua Astrologia.

Aproximadamente em 1.500 AC. essas regiões foram invadidas por uma raça branca e loira denominada Árias (que significa loiros). Na verdade, esses povos são conhecidos como Indo-Europeus e levaram a cultura européias daquela época para a Índia. Essa invasão iniciou-se no Punjab e no Alto Ganges. A população local fugiu para os planaltos de Dekan.
Surge então a cultura dos Vedas (1.299/800 AC.), seguindo-se à dos Brâmanes, que criaram as castas e reformas culturais (800/600 AC.) e por fim os Upanishadas (600/300 AC.). Em 500 AC. houve uma grande dissenção: surje o Janaísmo criado por Mahavira e o Budismo criado por Sidarta Gautama - o Buda.
Foi nesse período que a Índia conheceu também influências importantes como a civilização Medo-Persa (606/330 AC.), formada por povos Indo-Europeus. 
Dario, o Grande (521/485 AC.), sucessor de Cambises, estendeu esse Império desde a Índia até a Trácia. Com isso, os persas efetuaram a fusão de toda a civilização do Vale dos Indus ao Egeu e incorporaram o Zoroatrismo ou Masdeismo.

Historicamente o primeiro reinado ariano foi Magadh que durante o reinado de Bimbisara (542/490 AC.) ouviu os ensinamentos do Jainismo e do Budismo por seus próprios fundadores.

Entre 327 e 325 AC. Alexandre, o  Grande, invadiu Gandhana pelo noroeste, mas seus exércitos foram dominados por Chandragupta que fundou o Império Mauria. Alexandre trouxe da Europa conhecimentos místicos, religiosos e iniciatícos importante que lembram rituais maçônicos.

O Imperador Açoca (263/232 AC.) unificou a Índia e estabeleceu o Budismo como religião oficial. Parte de todo esse conhecimento iria influenciar o reino do Tibete anos depois. 
Daí para frente temos a história da Índia propriamente dita.

Pode-se resumir a influência religiosa da Índia da seguinte forma:
- VEDANISMO - o saber mais pelo que se ouve do que se vê. A salvação é obtida pela Obra, principalmente o sacrifício. (1.500 AC.)
- HINDUÍSMO: BRAMANISMO - (séc. VII AC.), onde a salvação é obtida pelo conhecimento.
(No séc. VI surgem mais duas)
- JAINISMO - onde a salvação é obtida pela  fé e pelo amor   e
- BUDISMO - onde a salvação vem pelo reto pensar/agir.

As grandes contribuições culturais foram:
- VEDAS - Os livros sagrados dos Vedas - antiquíssimo de origem. Falam do épico da criação do Universo e da origem do Karma da humanidade.
- RIG VEDA - Hinário com 1.028 hinos datado de 1.500 AC. Acreditava no Deus da Força Bruta - INDRA, que se opunha a VARUNA semelhante ao Deus Grego Urano, aproximando-se muito dos ritos de MINTRA. Cultuavam deuses de sacrifício e AGNI, o Deus do Fogo.

NA ASTROLOGIA, Stephen Arroyo  em seu famoso livro "Astrologia Karma e Transformação (publicações Europa América - 1978 - pg. 320, cap.: "Conceitos de astrologia nas interpretações de de Edgar Cayce": "Visitei pessoalmente a bibliotexa Cayce (na sede da Associação para a Pesquisa e Iluminação, em Virginia Beach) para estudar em primeira mão as interpretações originais, (...) Ao final de bastante tempo e depois de considerável esforço, descobri que apenas podia usar algumas das informações de Cayce na minha prática em que outras idéias eram totalmente incompreensíveis para mim ou obviamente baseadas num antigo sistema da Astrologia persa ou egípcia, que já não existe em qualquer forma acessível. No entanto, como está demonstrada a correção das informações de Cayce em milhares de interpretações psíquicas sobre outros assuntos, creio que devemos presumir que a sua informação astrológica era corretíssima, embora nosso nível de compreensão nos impeça de abranger a (....). Em primeiro lugar, devo dizer que todas as interpretações de Cayce se inseriam no âmbito da reencarnação, do karma e das potencialidades individuais de desenvolvimento espiritual e de obtenção de uma elevada consciência psicológica (...).

Tudo poderia continuar assim, num grande segredo, até que um pesquisador de Cayce e astrólogo insistiu em investigar mais.
Esse homem chama-se Ry Redd (in memoriam) e escreveu um livro importantíssimo chamado "Toward A new Astrology - The Approach of Edgar Cayce", onde ele retoma a pesquisa e chega as seguintes conclusões:
1. O sistema de casas que se aproxima melhor das leitura de Cayce é o sistema de Porphirius;
2. O melhor sistema é o Sideral (para a parte superior ou anímica)
3. Cayce dava grande importância para as forças planetárias. Portanto o melhor sistema de interpretação astrológica seria o INDIANO, principalmente o chamado STHANABALA - a força de planetas nos signos e casas no Mapa Natal.
Esse cálculo permite então saber quais planetas demoramos mais em estudo, aprimoramento e preparação para uma nova vida durante a intermissão (períodos entre vidas físicas). Esses locais são chamados de Estadas Celestiais .

Outros deuses dos Vedas evidenciam a influência de uma cultura estrangeira: VATA (Wotan  dos escandinavos); DIAUS PITAR (Zeus dos Gregos); Surya (Hélio dos Gregos), etc.
Os Brâmanes introduziram a parte mais importante das crenças clássicas dos Indus. Foram eles que introduziram o sistema de castas:

- Castas Arianas:       BRÂMANES - sacerdotes;
                                 KSHATRIAS - príncipes e guerreiros
                                 VAÍCIAS - criadores e agricultores
- Castas não Arianas: CUDRAS - homens de cor/artífices, trabalhadores e escravos.
                                 PÁRIAS - intocáveis

O Bramanismo é codificado pelos Brâmanes e pelos Upanishadas(comunicações confidenciais). Estão firmemente baseados no conceito da Trindade Divina - TRIMURTI: Brahma, Shiva e Vishnu.
Sua grande contribuição foi a introdução da idéia da sobrevivência e retorno da alma através das leis cósmicas divinas: As Leis do SÂMSARA, estas por sua vez incluem a Lei do Carma e do Dharma - pilares do saber dos hindus, seguindo do conceito de MOKSHA - sacrifício, princípio fundamental de libertação baseado nas leis Sagradas dos Purunas (antiguidades) e as Leis de Manu - que expões as antigas lendas. Essas lendas são o MAHABHARATA - Séc. III AC. e derivado dessa lenda, o livro de maior beleza dos Brâmanes: o BHAGÂVAT GÎTA - O Canto dos Bem Aventurados. Outra lenda importante é o RAMAYANA. São histórias das encarnações do Deus Vishnu na terra: A epopéia de Rama e de Krishna. Essas histórias são baseadas em lendas antiquíssimas, que ao se acreditar em modernas pesquisas no sanscrito, seriam então o mais antigo e impressionante relato de um fantástico período em que os deuses viveram e guerrearam entre homens, numa época em que se podia voar da Índia, via Ceilão até a América Central em aviões chamados Vimahanas!

A importância de se estudar a Astrologia Indiana está na preservação dessas "jóias" do saber humano. As revelações Astrológicas do famoso sensitivo norte-americano Edgar Cayce foram um grande enigma para os estudiosos de Astrologia pois resistia às análises clássicas.

FONTE: Apostila do Curso de Astrologia Indiana e Cármica que fiz com o Prof. Ademar Eugênio de Melo.
REVERENCIO IN MEMORIAM ,meus dois Grandes mestres nesses estudos:  Ademar Eugenio de Melo e Ry Redd.
             

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O ALTAR DOS DOZE DEUSES OLÍMPICOS

O Altar dos Doze Deuses é uma das mais importantes peças arqueológicas existentes no mundo.  De origem grega apresenta três faces que dividem os doze signos, seguindo a possível influência egípcia de repartir o ano em três segmentos, mas também visando reunir os deuses em partes e quadrantes.  Descrevemos a seguir os nomes romanos e entre parênteses os correspondentes gregos.
Na primeira face ao altar encontram-se Júpiter (Zeus) e Juno (Hera), Netuno (Poseidon) e Ceres (Deméter).
Na segunda fase encontram-se Apolo e Diana (Ártemis) , Vulcano (Efestos) e Minerva (Atenas). E na terceira fase encontram-se Marte (Ares) e Vênus (Afrodite), Mercúrio (Hermes) e Vesta (Héstia).
Esta sequência acha-se repetida no Altar Redondo do Museu do Capitólio em Roma, embora difira da Mesa dos Dose Deuses, também existente no Louvre, onde os deuses romanos são colocados em correspondência com os signos, embora nem sempre de forma exata, resultando numa espécie de horóscopo.
É evidente que aqui se tratam de deuses astrológicos, ou seja, os próprios olímpicos. Mas ao contrário da astrologia ptolomaica, não remetem apenas às sete esferas planetárias, mas aos próprios signo zodiacais do "ZODÍACO FIXO", sem que a eles se identifique de fato, uma vez que, pese a relativa antropomorfização do Zodíaco greco-caldeu. Não cabe aqui o aspecto anímico aos signos, razão pela qual existem zodíacos inteiramente caracterizados por formas animais, e até por forças naturais como ocorre com certos signos maias. Os signos zodiacais sempre dizem respeito às forças periféricas da Personalidade e representam a esfera transitória do SAMSARA ou do tempo, e nunca às energias da alma. Por esta razão, a primeira casa astrológica diz respeito à forma externa e à Personalidade da pessoa.
Mas também o zodíaco pode ser esotericamente revertido. Os Doze Trabalhos de Hércules e as 12 Tarefas de Odisseu seriam alegorias destas duas direções evolutivas (A Odisséia de Ulisses, de Luis A.W.Salvi - FEEU).
Pode-se concluir disto, em princípio, que a astrologia greco-romana não estivesse muito ocupada com os chamados aspectos científicos, tratando antes de inventariar esotericamente as forças da Alma. Apenas Ptolomeu é que teria mais tarde reunido os conhecimentos astronômicos existentes para elaborar uma astrologia pseudo-científica, numa época em que os saberes mais sutis estavam por se perder e foi esta a Astrologia que pode ser compreendida e valorizada pela Renascença européia. Disso tudo resultaria a mistura de influências que caracteriza a nossa civilização, com seu calendário pouco coerente.
Inicialmente, devemos observar que os nomes dos signos e planetas empregados na Astrologia moderna advém de distintas fontes, envolvendo de um lado a astronomia e de outro lado as astrologias caldaica-greco-romana. Assim, o deus grego Ares deu nome ao primeiro signo, e a deusa Juno romana nomeou o sexto mês. Os deuses romanos Vênus, Marte, Mercúrio, Júpiter, Saturno, Netuno e Plutão deram nomes aos planetas, os quais foram completados por Sol e Lua do jargão astronômico. Muitos símbolos vieram dos caldeus. Já nos meses do calendário existe ainda a influência etrusca e até nomes pessoais de imperadores.
Entretanto, essa mistura não resulta de todo ruim, se nela podemos entrever inclusive elementos de uma astrologia esotérica, presentes nos indícios de um Zodíaco Polar existente em algum momento do calendário romano.
O Altar dos Doze Deuses sofreu modificações desde sua forma original, podendo dificultar ainda mais a busca da correlação entre os pares de deuses ali presentes. 
Seja como for, temos que usar critérios bastante flexíveis, pois parece ser comum nas estruturas de conhecimentos romanos, especialmente em seus calendários, certa mistura de influências, o que pode não indicar apenas confusão e vaidade, mas também uma opção consciente ou mesmo a dificuldade de definir-se por uma única linha dentre muitas.
Assim, num primeiro grupo podemos facilmente reunir os pares de signos através de seus EIXOS ASTROLÓGICOS.
        Marte e Vênus - Áries/Libra (primeiro eixo)
       Júpiter e Juno  - Sagitário/Gêmeos (terceiro eixo)
       Netuno e Ceres - Peixes/Virgem (sexto eixo)
Nesta configuração, o aspecto da polaridade é simbólico ou relativo, uma vez que, em princípio, cada eixo pertence a uma única polaridade de elementos. Porém,. não se poderia deixar de buscar realmente alguma polarização e Virgem e Libra demonstram claramente aspectos mormente femininos, tendo o último por regente um dos símbolos do feminino que é Vênus.
Todavia, também encontramos similaridades expressas por polaridades planetárias. Tratam-se neste caso dos signos regidos por Sol/Lua (luminares), Mercúrio e Marte:
      Apolo e Diana - Leão/Cancer (regidos pelos luminares)
      Mercúrio e Vesta - Gêmeos/Virgem (regidos por Mercúrio)
     Vulcano e Minerva - Escorpião/Áries (regidos por Marte)
Assim, encerramos os seis pares de deuses. Entretanto, deixamos de englobar os signos de CAPRICÓRNIO e AQUÁRIO, até porque Saturno/CRONOS foi expurgado do Olimpo e não se apresenta no quadro; Mas, como Saturno mantém seus vínculos com os infernos, nisso podemos aproximá-lo do artífice Vulcano. Na mitologia romana Saturno também está muito identificado a Janus, o deus de duas fontes (duplo como Juno/Gêmeos e relacionado nisso a Cástor e Pólux), sendo que do mês de Janeiro participam os dois signos de Saturno, Capricórnio e Aquário.






quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ASTROLOGIA CLÁSSICA

Ao se deparar com a expressão "Astrologia Clássica" , o estudante médio tenderá hoje a pensar na Astrologia comum confrontada com abordagens modernas consagradas, como a empreendida por Dane Rudhyar, que teve um mérito especial de interpretar o uso astrológico dos "novos planetas" Urano, Netuno e Plutão (este último descoberto em 1930), ou mesmo por certas visões esotéricas como as reveladas pelos teosofistas (incluindo Alan Leo e Alice Bailey).
Aqui, trataremos de investigar o classicismo no sentido CONVENCIONAL do termo, buscando portanto, os cânones astrológicos gregos e romanos. A menção às fontes modernas, sejam elas quais forem, será meramente acidental, empregando-as sobretudo, para definir as diferenças com o verdadeiro espírito clássico.

A ASTROLOGIA DA CIVILIZAÇÃO PISCIANA

A história da Astrologia recente possui um grande inspirador: CLAUDIUS PTOLOMEU, um sábio alexandrino que viveu no século II D.C. e que codificou os conhecimentos celestes dos caldeus, dos egípcios e dos gregos em sua obra TETRABIBLOS. Sua obra foi traduzida na Renascença e passou a influenciar poderosamente as teorias astrológicas e até a astronomia, tal como na relação entre deuses e planetas por ele estabelecida e que, ao considerar os planetas conhecidos, apresentava bases científicas. Uma das principais teorias que estabeleceu, reside na crença"determinista" dos efeitos positivos dos planetas sobre a humanidade, inclusive ao nível físico.
Considerado "o primeiro cientista celeste", este grande estudioso do universo catalogou mais de mil estrelas, trezentas delas pela primeira vez. Suas descrições dos corpos celestes, formas, órbitas e influências são tidas como de maior importância no desenvolvimento das teorias, tanto da astronomia como da astrologia. Não obstante, ainda colocava a Terra no centro do universo; razão pela qual o universo descrito por Ptolomeu não é o mesmo que um cientista descreveria hoje. Na verdade, desde sua época a própria astrologia seguiu se desenvolvendo, inclusive sobre conhecimentos advindos de outras latitudes, com destaque para a Astrologia Árabe.
Grécia e Roma conheceram certa popularização da Astrologia. Os romanos adotaram amplamente a cultura grega e alguma coisa da persa, mas na verdade havia muita coisa original, advinda dos etruscos e mesmo de outras fontes. Os gregos por sua vez foram influenciados pelos dórios, trácios e egípcios.
Já nossa civilização adotou profundamente os costumes romanos, com destaque para o direito canônico e civil. A Igreja, em especial, recuperou as instituições de Roma após a queda do Império, "minado" precisamente pelo cristianismo e derrubado pelas invasões bárbaras. Vestuário, leis, arquitetura e até a língua romana foram incorporadas pela Igreja Católica. O cristianismo não se contentou em dominar a Palestina: incorporou o centro do império mundial e a partir dele estendeu seu próprio manto sobre a Terra.

OS DEUSES OLÍMPICOS E O CLASSICISMO ASTROLÓGICO

A Grécia e, por extensão Roma, receberam assim fortes influências da Antiguidade, do Egito à Pérsia. Por se achar inserida numa mitologia muito mais ampla, a verdadeira astrologia clássica possuía feições muito distintas daquela codificada por Ptolomeu, cujos propósitos estavam limitados a astrologia em si, e ainda vista sob certa ótica.  Não é preciso dizer que os deuses gregos e romanos eram quase inumeráveis: tudo entre eles era divinizado. Diz-se que os hindus possuem 3.000 deuses, mas nossos antepassados ocidentais não eram muito diferentes.
No entanto, os deuses astrológicos recebiam destaque especial, e para representar isto eram descritos como vivendo no Monte Olimpo. Muitos outros deuses eram apenas aspectos deles, podendo-se mesmo dizer que cada um dos 12 deuses tinha 30 aspectos secundários, para ilustrar os graus de cada signo.
Como demonstra René Ménard em Mitologia Greco-Romana (Ed. Fittipaldi, 1985 - SP) encontram-se no Museu do Louvre uma das peças mais reveladoras sobre a natureza da astrologia clássica, o chamado "ALTAR DOS DOZE DEUSES". (detalhamento na próxima matéria do blog)

Fonte: Incanus

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DANE RUDHYAR - ASTROLOGIA HUMANÍSTICA (seu legado)

O astrólogo, filósofo, artista Dane Rudhyar nasceu em paris, França, em 23 de Março de 1895 e morreu em 1975, em São Francisco, Estados Unidos, aos 90 anos de idade.
Seu trabalho foi muito importante e considerado uma transição válida entre a astrologia profana e a astrologia sagrada, surgindo com as correntes místicas e científicas. Nesse sentido, Rudhyar realizou um esforço sincero para compreender os altos postulados da Tradição e levar a mentalidade moderna nesta direção.
Rudhyar era claramente possuidor de uma mente científica, ainda que aberta ao superior. E conquanto acatasse a idéia da "influência astral", perturbava-o a incredulidade da ciência acerca do tema esotérico, adotando nisso certo ceticismo científico e buscando formas de harmonizar mente e intuição.Por essa razão, a sua opção astrológica tornou-se cada vez mais simbolista. Ou seja: Os códigos astrológicos teriam validade unicamente como guias para a evolução terrena naquilo que se refere aos ciclos evolutivos do ser humano, sem a pretendida influência exterior da astrologia profana. E isso se deu em todos os planos em que trabalhou, seja HUMANÍSTICO, seja TRANSPESSOAL.
Muito cedo em sua vida Rudhyar chegou a compreender intuitivamente duas coisas que influenciariam profundamente toda sua vida e seu trabalho: 1) O tempo é cíclico e a Lei dos Ciclos descreve todas as civilizações assim como a existência; 2)  A Civilização Ocidental está agora no que poderia denominar-se "fase outonal" de seu período de existência. Conforme essas compreensões se desenvolveram como uma dedicação pessoal ao futuro que vislumbrava, Rudhyar sentiu a necessidade de se divorciar da Europa e buscar um "Novo Mundo", uma terra na qual pudesse, por assim dizer, semear-se a si mesmo como semente, levando dentro do seu ser o legado de todo o viável e construtivo no passado europeu. Em fins do outono de 1916 (aos 21 anos) chegou à América, deixando para trás sua terra natal e sua ancestral cultura francesa, assim como seu nome familiar, Chenneviere.
A mudança de nome foi simbólica em virtude de uma total dedicação ao seu ideal: a transformação da nossa civilização, uma reavaliação de todos os valores.
Veio a ser conhecido como Rudhyar, nome derivado da raíz sânscrita "rudra", que significa ação dinâmica e poder elétrico libertado durante as tormentas.
O deus RUDRA é nos Vedas o Destruidor e Regenerador, a energia transformadora que rompe os velhos moldes e o poder da vontade ou força vital.
Esse sentido de destino liberou através de Rudhyar uma tremenda energia que ele canalizou para o desenvolvimento de suas idéias filosóficas: através da Música, do uso do Tom, através da Pintura como a Arte dos Gestos, através da Astrologia como a linguagem simbólica, com o potencial de levar os indivíduos à sintonia com os ciclos cósmícos. 
Através de toda a sua longa vida e de seu uso de diferentes formas de expressão, seu propósito foi sendo cada vez mais claramente enfocado e dinâmico. Ele invocou a necessidade de indivíduos que com visão holística e um enfoque transpessoal da vida  servissem como fundamento de uma sociedade global.
Rudhyar deu-se como presente de maioridade, o abandono de um continente conflagrado pela guerra, buscando um novo mundo, não apenas como segurança, mas como um novo padrão cultural.
Crítico das monarquias européias, via na democracia americana um sinal do porvir, onde muitos poderiam compartilhar os bens materiais e espirituais da civilização. O abandono do próprio nome simboliza esta profunda ruptura com o passado. Derivado de Rudra, a palavra Rudhyar sugere seu desejo de transformar profundamente  as concepções e gerar uma nova força. Esse nome traduz talvez a determinação de seu signo solar , Áries, um signo de mudança e de impulso. 
Como declara em seu livro " Da Astrologia Humanística  à Astrologia Transpessoal, de início ele foi profundamente influenciado pelas obras de H.P. Blavatsky (Ísis sem Véu  e a Doutrina Secreta). Afirma que seu despertar para a astrologia deu-se sob o contato com a Sociedade Teosófica, na década de 20, onde participou de sua Seção Interna, vindo a conhecer importantes nomes do esoterismo presente e vindouro, quando também se interessou pela obra de Carl G. Jung. Um desses nomes foi Alice A. Bailey que apoiou o início da carreira de Rudhyar, oferecendo-se para lhe publicar a obra Astrologia da Personalidade (1936), baseada em artigos de Rudhyar, imbuidos em reflexões sobre os mistérios de Astrologia esotérica e da Metafísica oriental.
Quando começou a atuar com estilo próprio, a influência de Jung sobre seu trabalho foi mais forte, dando lugar ao surgimento de uma ASTROLOGIA HUMANÍSTICA, que empregava valores simbólicos da Astrologia na integração da personalidade humana, ou como base para uma "psicologia profunda" como declara em sua obra "A Astrologia da Personalidade". 
Nessa etapa Rudhyar atua sobretudo como um pensador, fornecendo uma importante base teórica para a formação de uma "psicologia astrológica" , influenciado vários astrólogos mais devotados à praxis individual como Stephen Arroyo, Alexander Rupertti, Michael Meyer, Liz Greene, Dona Cunnigham e outros.
Mais tarde, esse enfoque ampliou e até se cosmificou, surgindo assim sua ASTROLOGIA TRANSPESSOAL. De certo modo, isso representou um retorno às suas primeiras obras e idéias, profundamente influenciadas pelo esoterismo. Nesse campo, Rudhyar era basicamente um "criador" gerando novas idéias, vindo a influenciar astrólogos místicos como Alan Oken.
A sua obra "Astrologia da Transformação" é considerada "o brilhante clímax da obra astrológica de Rudhyar", após 45 anos de estudo.
A primeira parte deste trabalho de 45 anos começou em 1933, quando passou a escrever para a então nova revista American Astrology, fundada por Paul Clacy. Tratava-se de uma série de artigos mensais que viria a durar mais de 20 anos. O primeiro grupo de artigos foi usado como base do livro "A Astrologia da Personalidade". Esta fase encerrou-se em 1968, quando Rudhyar formou o Comitê Internacional para uma Astrologia Humanística (ICHA, em inglês, palavra que em sânscrito significa vontade - iccha).
A fase final teve início em seus últimos anos de vida. Se não foi um MESTRE consumado, Rudhyar foi, ao menos, um brilhante contribuidor esotérico-científico, capaz de ter feito uma ponte válida entre o passado e o futuro, tal como foi toda a sua vida e não raro, ainda hoje, brinda seus leitores com "insights" e abordagens verdadeiramente iluminadas.
Mas, como resumo de tudo podemos transcrever suas palavras reproduzidas no prefácio da Astrologia Humanística à Astrologia Transpessoal: " O DESAFIO DA TRANSFORMAÇÃO TOTAL - INDIVIDUALMENTE E COLETIVA SOCIAL - ESTÁ DIANTE DE NÓS, SE OS NOSSOS OLHOS ESTIVEREM ABERTOS, NOSSAS MENTES DESANUVIADAS E O NOSSO EGO NOS PERMITIR SUPERAR SEUS TEMORES E SUAS FRONTEIRAS DE INSEGURANÇA. UMA VEZ APTOS A ACEITAR TAL DESAFIO, TUDO MUDA"!